Por Marco Aurélio de Carvalho, Cristovam Buarque, Maurício Rands, Pedro Ivo, Randolfe Rodrigues, Rosângela Lyra e Wellington Almeida

Contra Bolsonaro, urge a gestação de uma ampla frente democrática

Um movimento de cidadãs e cidadãos, suprapartidário, que almeja um novo ciclo para a história do Brasil. Um movimento da sociedade civil, de acadêmicos, empresários, profissionais liberais e dos movimentos culturais e sociais conscientes de que o país não pode correr o risco de mergulhar em mais quatro anos de obscurantismo.

Não devemos desprezar a força do bolsonarismo, que trouxe à tona mais preconceito, intolerância e indiferença. É imprescindível diminuir os riscos do negacionismo, da violência e do descompromisso com os direitos sociais do povo brasileiro. Não podemos e não queremos ficar inertes diante do aumento da miséria, da fome e da inflação. Não nos conformamos com o retrocesso nos direitos humanos e na política ambiental. Não aceitamos a perda de prestígio do Brasil no cenário internacional. E, sobretudo, não podemos tolerar a deterioração da nossa democracia, que foi construída com muito esforço pelas gerações que conquistaram as eleições diretas, a Constituição Cidadã, que debelaram a inflação crônica e que lançaram as bases das políticas sociais.

Em todos esses momentos, cada um de nós esteve presente. Ora convergimos, ora divergimos. Como é próprio do ambiente democrático. Agora, mesmo com nossa diversidade de pensamentos, temos um consenso básico. Para prevenir os riscos de um segundo turno com Jair Bolsonaro, buscando saídas golpistas e tumultuando o processo eleitoral, precisamos construir uma ampla frente democrática. De partidos, mas igualmente de atores da sociedade civil.

O momento não é o de colocar as ambições pessoais e partidárias em primeiro plano. Trata-se de eleger um governo democrático, com forças de esquerda, centro e direita dispostas a restaurar a boa prática democrática. Para buscar a pacificação de um país que hoje está dilacerado pelo ódio, muitas vezes alimentado por mentiras que aprisionam suas vítimas nas realidades paralelas das chamadas “bolhas”.

Precisamos reconstruir o país na direção de uma nova agenda capaz de superar os graves problemas nacionais. Uma agenda transformadora. Inovadora. Pacificadora. Apta a viabilizar um novo projeto de desenvolvimento que possa combater com efetividade a miséria, a fome e a violência. E que possa nos colocar na direção de um novo crescimento que seja ambiental e socialmente sustentável. A partir da inclusão educacional e digital da nossa juventude, hoje tão marginalizada.

Uma agenda que resgate a nossa dívida histórica com os povos originários e com os descendentes dos escravizados que ajudaram a construir este país. E que possa reformar nosso Estado patrimonialista, historicamente apropriado por interesses privados e corporativos, para que ele volte a induzir políticas econômicas eficientes e socialmente inclusivas.

Precisamos redesenhar nossas falidas instituições jurídicas e políticas para que sirvam à sociedade e parem de dela se servir. Para que não sejam instrumentalizadas por interesses políticos e eleitorais. Tudo isso pode ser viabilizado por uma real aliança que aponte para uma nova governança que amplie horizontes através de consensos progressivos em torno de objetivos pactuados por diferentes forças políticas, econômicas e sociais.

Para viabilizar tudo isso, urge a gestação de uma ampla frente democrática já no primeiro turno. E com um candidato capaz de dialogar com os diferentes e que possa interpretar os anseios mais sentidos da nossa gente sofrida. Que seja amplamente conhecido e que goze da confiança popular.

Um candidato assim, capaz de unificar amplos setores da sociedade, já existe. E está pronto para inaugurar um novo ciclo. Está maduro para retificar caminhos e evitar erros cometidos em experiências anteriores. Esse candidato mantém há meses a liderança em todas as pesquisas, e isto porque conquistou uma profunda inserção popular não ostentada por qualquer outro. Detém condições reais até mesmo para evitar um indesejável segundo turno, que aprofundaria ainda mais as divisões e os riscos de um país já tão fraturado. Esse candidato é Lula. Lula em primeiro turno. É o que desejamos. Para reconstruir e reconciliar o país.

Artigo publicado originalmente na Folha de S.Paulo.

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